
Um levantamento inédito divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) revelou que as prefeituras paranaenses destinaram aproximadamente R$ 1,2 bilhão para a contratação de shows artísticos entre 2021 e o primeiro semestre de 2026. Os dados acenderam um alerta no órgão fiscalizador devido a possíveis desvios de recursos que deveriam ser aplicados em áreas essenciais da administração pública.
As informações foram reunidas no novo Painel de Gastos com Eventos Municipais, integrado ao Portal Informação Para Todos (PIT). A plataforma utilizou automação e inteligência artificial para compilar 10.900 empenhos com valores acima de R$ 20 mil enviados pelas próprias prefeituras.
Artistas contratados: 1.158 nomes, entre cantores, duplas e grupos musicais.
Média de valor: O custo médio por contratação artística foi de R$ 112,3 mil.
Exceções: Apenas seis municípios não registraram gastos nos critérios do painel: Campo do Tenente, Guaporema, Nova Cantu, Paulo Frontin, Pinhal de São Bento e Piraquara.
Segundo Ivens Linhares, presidente do TCE-PR, a ferramenta não emite juízo de valor sobre o incentivo à cultura, mas tem o objetivo fundamental de induzir a transparência e a boa gestão do dinheiro público.
Os dados mostram um salto expressivo nas despesas após as restrições impostas pela pandemia de Covid-19, atingindo o pico de investimentos no ano de 2025. O Tribunal ressalta que o gasto com eventos culturais não é ilegal por si só, desde que comprove finalidade pública, impacto concreto para a população e razoabilidade financeira.
| Ano | Valor Gasto em Shows |
| 2021 | R$ 25,1 milhões |
| 2024 | R$ 292,2 milhões |
| 2025 | R$ 403,5 milhões |
| 2026 (1º semestre) | R$ 144,7 milhões |
O levantamento mapeou o destino dos recursos municipais. Os valores da tabela abaixo refletem o montante total recebido por cada artista ao longo do período analisado, e não o cachê de uma única apresentação.
| Artista ou Atração | Valor Total Aproximado |
| Fernando e Sorocaba | R$ 18,1 milhões |
| Guilherme e Benuto | R$ 13,0 milhões |
| Ana Castela | R$ 12,6 milhões |
| Maiara e Maraisa | R$ 11,2 milhões |
| Luan Pereira | R$ 11,1 milhões |
| Leonardo | R$ 10,6 milhões |
| Clayton e Romário | R$ 10,4 milhões |
Outros nomes com alto volume de arrecadação incluem Rio Negro e Solimões (R$ 9,8 milhões), Léo e Raphael (R$ 9,8 milhões) e Mato Grosso e Mathias (R$ 9,3 milhões).
O ponto mais crítico do relatório aponta para o uso potencial de rubricas orçamentárias incorretas. O TCE-PR identificou que verbas carimbadas para outros setores foram supostamente utilizadas para financiar eventos artísticos.
Áreas possivelmente afetadas: Há indícios de uso de recursos destinados à saúde, educação básica, iluminação pública, Fundo do Idoso e Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom).
Emendas Parlamentares: Foram identificados R$ 4,3 milhões transferidos via emendas para bancar shows, o que equivale a 0,35% do total gasto no período.
O Tribunal informou que instaurará procedimentos de fiscalização rigorosos para apurar os casos suspeitos. Até a conclusão dessas investigações, os dados levantados devem ser tratados como informações de acompanhamento e indícios preliminares.




