

Um levantamento preliminar divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) apontou que mais da metade das prefeituras do Estado não possui estrutura física ou equipe exclusiva para a Defesa Civil, o que compromete diretamente a capacidade de resposta a desastres climáticos.
Neste ano, o Paraná já registrou 574 ocorrências extremas que afetaram 246 cidades, atingindo mais de 292 mil pessoas e resultando em 27 mortes, segundo dados da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Diante da gravidade climática, o TCE-PR passou a avaliar a preparação dos municípios por meio do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (ProGov).
As respostas aos questionários aplicados nas 399 prefeituras paranaenses revelam carências severas na administração municipal. A pesquisa mostra que 60,9% dos municípios não contam sequer com uma sala equipada com mesas, computador e internet exclusivos para o setor, enquanto 68,17% não têm servidores dedicados unicamente a essa atividade.
A falta de infraestrutura também prejudica a mobilidade e o contato direto com a população. Mais da metade das cidades (50,68%) informou não ter veículos adequados para acessar áreas remotas, e 55,64% não dispõem de uma linha telefônica exclusiva para atender os moradores em situações de emergência. O levantamento identificou ainda que 47,68% das equipes não possuem equipamentos para registro fotográfico.
A vulnerabilidade se reflete de forma crítica na prevenção e no aviso de riscos, já que 70,93% dos municípios não mantêm sistemas próprios de alerta, como carros de som, rádios ou grupos de mensagens, capazes de alcançar todos os cidadãos de forma rápida. Além disso, 55,14% das administrações não avaliaram a eficácia de seus planos de contingência para o ano de 2025, sendo que boa parte delas sequer possui a iniciativa formalizada.
Os dados levantados pelo ProGov buscam mapear os desafios locais dentro da gestão ambiental integrada. De acordo com o TCE-PR, a finalidade do programa é orientar o poder público para o fortalecimento da sustentabilidade e da capacidade de resposta rápida das prefeituras, garantindo a proteção da comunidade frente às atuais mudanças climáticas.
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