

Idosa de 70 anos estava desaparecida há um mês; advogada da família aponta que crime foi motivado por golpe financeiro e critica tratamento inicial do caso como "mero desaparecimento".
O trágico desaparecimento de Dona Eulália, de 70 anos, que mobilizou familiares e a imprensa ao longo de 30 dias, caminha para um desfecho doloroso. Após a localização de um corpo há dois dias em um rio na região de Nova Londrina, a família tenta agora a liberação rápida para o sepultamento, enquanto a defesa técnica aponta indícios contundentes de que a idosa foi vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte) planejado.
Em entrevista, a advogada da família, Dra. Josiane Monteiro detalhou os próximos passos jurídicos, as falhas nas investigações iniciais e o perfil do principal suspeito do crime.
Embora o Instituto Médico Legal (IML) tenha realizado a coleta de material genético para confronto com uma das filhas de Dona Eulália — exame que deve levar alguns dias para ser concluído —, a defesa protocolou um pedido de alvará judicial para a liberação imediata do corpo.
O estado avançado de decomposição impediu a identificação por meio de exame papiloscópico (digitais) ou pela arcada dentária. No entanto, para os familiares, não restam dúvidas de que o corpo é de Dona Eulália, devido a três fatores principais identificados no IML:
As vestes: As roupas encontradas no corpo coincidem com as que ela usava no dia do desaparecimento.
Acessórios: Um relógio, cuja imagem foi enviada à família, foi prontamente reconhecido.
Fisiologia: A presença de uma fístula no braço direito, procedimento médico que a idosa realizava para sessões de hemodiálise.
"A família já ficou mais de 30 dias sofrendo nessa angústia de encontrá-la, de ter notícias. O que nós estamos pedindo é que seja feita a liberação do corpo para que eles possam se despedir, e que o exame de DNA seja concluído em outro momento", explicou a Dra. Josiane Monteiro.
As investigações conduzidas pela defesa apontam que Dona Eulália foi vítima de uma emboscada financeira armada por um homem com quem mantinha uma relação de confiança recente. O suspeito, que aparenta ter mais de 60 anos, teria conhecido a idosa em Maringá.
Aproveitando-se da vulnerabilidade da vítima — uma senhora viúva, muito bondosa e de baixa estatura (menos de 1,45 m) —, o homem propôs uma sociedade para a compra de uma propriedade rural em Nova Londrina.
Dona Eulália realizou o saque de uma quantia em dinheiro em Maringá e viajou de ônibus até Nova Londrina para fechar o suposto negócio. O celular da idosa foi desligado definitivamente às 12h41 do mesmo dia de sua chegada, indicando que ela foi assassinada imediatamente após o encontro.
O corpo foi encontrado em uma área remota, a cerca de 15 km de Nova Londrina, sob uma ponte de madeira no Rio Tigre. A suspeita é de que o criminoso conhecia bem a região das "cinco pontes" e utilizou o carro para transportar e arremessar o corpo da vítima de cima da estrutura.
Informações preliminares do IML apontam que o corpo não apresentava ferimentos externos visíveis, sugerindo que a morte possa ter ocorrido por asfixia, devido a marcas encontradas na região do pescoço. O laudo de necropsia oficial ainda é aguardado.
Durante a entrevista, a advogada criticou a postura da delegada responsável pelo caso no início das investigações. Segundo a defesa, a polícia tratou o caso inicialmente como um "mero desaparecimento voluntário", o que atrasou a coleta de provas cruciais.
Depoimentos ignorados: Testemunhas que viram a idosa no ônibus, funcionários da rodoviária de Nova Londrina e pessoas que gravaram imagens dela não foram ouvidos na época por falta de prioridade.
Pistas falsas: A polícia chegou a seguir linhas de investigação erradas, apresentando à família imagens de câmeras de segurança com pessoas e veículos que não tinham relação com Dona Eulália.
A defesa solicitou formalmente que a polícia utilize um sonar no Rio Tigre para tentar localizar a bolsa e o celular da idosa, objetos que foram roubados e que podem conter dados cruciais para a identificação do suspeito por meio da perícia técnica.
A defesa e a família fazem um apelo para que qualquer pessoa de Maringá ou Nova Londrina que tenha informações sobre o homem de aproximadamente 60 anos que se relacionava com Dona Eulália entre em contato com as autoridades.
"Esse homem é um perigo para toda a sociedade. Ele arquitetou um crime contra uma senhora extremamente vulnerável por valores baixos. Ele estar solto é uma ameaça a todos", alertou a advogada.




